09 FEVEREIRO 2026

PE. DEOLINO PEDRO BALDISSERA, SDS


Todos temos a experiência do amor em nossa vida. Sem ele não teríamos sobrevivido. Contudo, o amor tem seus desafios para enfrentar. Nem sempre o desejo de amar se torna experiência vivida, pois ele encontra barreiras no desamor. O amor é força em nós que se digladia quando se depara com nossas fragilidades e egoísmos e nossos pecados. Contudo o lugar onde ele sempre se manifesta é no encontro com o outro e se expande nele, pois é ali que acontece o teste se é ou não verdadeiro. Ninguém consegue amar sozinho, é necessário que o outro faça parte, caso contrário o amor fica no ar, sem chão.

O teste do amor se verifica na capacidade de ir ao encontro do outro mesmo quando este não está disposto a aceitá-lo. O amor não precisa pedir licença, pois ele não se impõe como força limitadora do espaço do outro, mas sim favorece sua ampliação. O amor é poliglota, sem precisar falar línguas diferentes, se comunica com todos. Os canais por onde ele se transmite são independentes e cruzam fronteiras sem precisar de passaporte, porque ele é livre de preconceitos, se sustenta por força própria que traz de suas origens. O amor não pede para servir, serve mesmo não sendo convidado, ele não depende da aceitação do outro, porque é desinteresseiro e nem violenta a liberdade de ninguém. Não julga nem põe condições, simplesmente se oferece como dão. O amor não depende da beleza do corpo e nem da inteligência, nem de cultura ou raça. Ele se faz presente no coração de todos que dão guarida a ele, independente do sangue que corre nas artérias. Ele é capaz de suportar as incompreensões e injustiças, não se deixa abater por nada. O amor não depende de religião, não faz diferenças entre credos. Ele é capaz de carregar em suas asas livres o que há de melhor no ser humano. Sua capacidade de se transcender para doar-se por inteiro voa bem longe para abraçar até quem é desconhecido. O amor não impõe condições para se manifestar, é livre e independente de filosofias ou interpretações distorcidas que se fazem dele. O amor é generoso, dá mais do que o outro pede, abre mão de direitos, se isso contribui para o bem do outro. Não se esgota e nem se cansa, mesmo que o corpo esteja exausto. O amor não se vende e nem se compra, é sempre dom.

O amor não precisa de diploma para ensinar, pertence à escola da vida que amplia seu aprendizado cada vez que se exercita e ama alguém. Está disponível dia e noite, basta a presença do outro para despertá-lo. O amor é capaz de tudo, inclusive de dar a própria vida.

O amor é profecia que anuncia bens presentes e futuros, ele ressoa nas vibrações que transmite, transpondo montanhas para chegar aos que estão distantes para aproximá-los. Ele perdoa quando alguém ofende, é misericordioso com aquele que é frágil, é solidário com quem tem necessidade, é paciente e espera não se precipita, é compreensivo com o ignorante, não julga apressado e nem tira proveito do ingênuo. Oferece guarida ao desamparado, é pacífico e não carrega rancor, acolhe o inimigo e deseja seu bem. É samaritano que se aproxima e cuida de quem está ferido no caminho. Se contrapõe ao ciúme e não alimenta inveja, aplaude o sucesso do outro.  O amor é capaz de tudo isso porque ele nasceu antes do coração de Deus. Como diz São João, Deus é amor e nos amou por primeiro. Graças a isso, o amor humano tem a condição de se transcender, se ampliar, não há horizonte que o bloqueie, porque ele tende a ser eterno. O pecado é o entrave que se posiciona contra ele, mas não tem poder de anulá-lo. Quando coração humano se abre para o amor que vem de Deus, ele é mais forte e supera as forças contrárias que queiram dominá-lo. Até a hora de nossa morte, ele vai acompanhado da esperança e da fé. Despede-se delas e vai sozinho ao encontro do Amor original, onde se plenifica e eterniza.  Disto tudo o amor é capaz...