
29 MAIO 2026
ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA | CATEQUESE INCLUSIVA
O encontro reuniu catequistas para aprofundar o conhecimento sobre as deficiências, as barreiras existentes nas comunidades e os caminhos concretos para uma catequese inclusiva.
No dia 23 de maio de 2026, a Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, em Fazenda Rio Grande, sediou a segunda etapa da Formação para Catequistas da Catequese Inclusiva. O encontro, promovido pela Animação Bíblico-Catequética da Diocese de São José dos Pinhais, reuniu 75 catequistas de diversas paróquias.
SÍMBOLOS E ORAÇÃO DÃO O TOM À FORMAÇÃO INCLUSIVA
A acolhida dos participantes contou com uma forte experiência simbólica por meio da vivência inspirada no Evangelho de Marcos (Mc 3,4). Na oportunidade, os catequistas contemplaram diversas barreiras ainda presentes na vida comunitária, como o preconceito, a indiferença, o medo, a exclusão, a falta de escuta, o isolamento, o desconhecimento e a falta de acessibilidade. Gradativamente, esses desafios foram transformados em atitudes evangélicas de acolhida, compaixão, proximidade, participação, diálogo, comunhão, aprendizagem e acessibilidade, expressando visualmente a vida nova que floresce quando a comunidade acolhe cada pessoa em sua singularidade.
O momento orante foi conduzido a partir da passagem da cura do homem da mão seca (Mc 3,4-5), convidando o grupo a refletir sobre as situações de exclusão que persistem nas comunidades. A Palavra de Deus provocou os catequistas a assumirem uma postura ativa diante das dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência e suas famílias, reconhecendo a inclusão como uma expressão concreta de fidelidade ao Evangelho e de cuidado com a vida.
O encontro também fez memória da primeira etapa da formação, realizada em março deste ano. Utilizando diversos símbolos, os participantes recordaram temas fundamentais já trabalhados, como o olhar acolhedor de Jesus, a construção de uma Igreja onde todos tenham lugar, o percurso histórico da inclusão na catequese e o compromisso de transformar toda essa reflexão em ação pastoral concreta no dia a dia das paróquias.
CONHECENDO AS DEFICIÊNCIAS E CONVERTENDO O OLHAR
O eixo central da manhã foi a assessoria da Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima Minetto, que conduziu a reflexão sobre o tema “Conhecendo as deficiências: caminhos para uma catequese inclusiva”. A partir de uma compreensão bioecológica e sistêmica do desenvolvimento humano, a assessora convidou os participantes a superarem visões reducionistas sobre a deficiência, reconhecendo cada pessoa em sua integralidade, nas relações com a família, a comunidade e o ambiente. A reflexão destacou que a inclusão não deve partir apenas das limitações ou dos diagnósticos, mas do reconhecimento da dignidade, das potencialidades e da singularidade de cada pessoa.

A formação recordou que toda pessoa é sujeito de direitos na Igreja e que a diversidade enriquece a comunidade cristã. Também foram abordados conceitos como inclusão, equidade, desenho universal, acessibilidade, capacitismo e barreiras atitudinais, ressaltando que a maior transformação necessária acontece no olhar da comunidade. A formação trouxe ainda orientações práticas para a catequese, como organização dos ambientes, adaptação de conteúdos, previsibilidade das atividades, comunicação acessível, regulação emocional e acolhimento das famílias. Ao final da manhã, ficou evidente que a inclusão não começa apenas nas adaptações materiais ou estruturais, mas na conversão do olhar: quando a comunidade aprende a enxergar a pessoa antes do diagnóstico, abre novos caminhos de participação, pertença e comunhão.
VIVÊNCIAS PRÁTICAS E ESTAÇÕES FORMATIVAS
No período da tarde, os participantes foram divididos em grupos para vivenciar duas estações formativas que proporcionaram experiências concretas de sensibilização e aprendizagem. A primeira delas, intitulada “Portas da Percepção” e conduzida pela terapeuta ocupacional Priscila Moreira, permitiu aos catequistas experimentar situações relacionadas aos perfis sensoriais. A atividade ajudou o grupo a compreender melhor como diferentes pessoas percebem o mundo e de que forma as alterações sensoriais podem influenciar diretamente a participação nos encontros catequéticos.

A segunda estação, chamada “Pontes da Comunicação” e conduzida por Ana Caroline Bonato da Cruz, convidou os participantes a descobrir e valorizar diversas formas de linguagem, como a comunicação não verbal, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e os recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Essa proposta despertou nos catequistas a percepção de que a comunicação vai muito além das palavras, sendo construída por meio da abertura ao encontro e à escuta.

Juntas, as duas estações foram apresentadas como uma verdadeira viagem formativa, sintetizada pela expressão “Portas que se abrem, pontes que se constroem”, reforçando que a inclusão nasce da capacidade de ampliar o olhar e criar relações mais humanas e acessíveis.
As assessorias reforçaram que a catequese inclusiva exige uma verdadeira conversão pastoral e mudança de mentalidade que envolva toda a comunidade, superando o capacitismo, reconhecendo a singularidade de cada pessoa, acolhendo as famílias, organizando redes de apoio e desenvolvendo práticas colaborativas para que todos possam participar ativamente da vida da Igreja.
CELEBRAÇÃO FINAL E COMPROMISSO COM A MISSÃO
A celebração de encerramento do encontro retomou a pergunta de Jesus: “É permitido salvar uma vida ou deixá-la morrer?”, motivando cada participante a assumir compromissos práticos para tornar suas paróquias mais acolhedoras e acessíveis. Em um gesto simbólico, os catequistas registraram metas pessoais e comunitárias focadas na superação de barreiras, na ampliação da escuta e no incentivo à participação ativa das pessoas com deficiência na vida da Igreja.
Ao término do dia, os participantes retornaram para suas realidades locais levando na bagagem novos conhecimentos, experiências marcantes e a missão de continuar construindo uma catequese cada vez mais participativa, acessível e evangelizadora. Com esse passo, a caminhada da Catequese Inclusiva na Diocese de São José dos Pinhais segue avançando com firmeza, reafirmando que o Evangelho é um convite constante à acolhida, à comunhão e ao respeito à dignidade de cada pessoa. Como síntese desse horizonte inspirador, ecoou com força o lema que move toda a diocese: “Aqui, todos têm lugar”.



Animação Bíblico-Catequética
Fotos: Daniela Fiametti Roza
